domingo, 4 de novembro de 2012

o que eu sinto não é meu.
o que eu acredito não existe.
o que eu penso me foi dado
por verdades irreais.
nada é meu,
e eu não sou eu,
apenas os instintos animais.
sentir nos foi empurrado
por românticos burgueses adolescentes.
embora meu amor, ilusão
afeto que não sentes,
tens o sua própria crença:
ao negar a humanidade,
de ser menos humano.
o lugar em que vivo não me pertence,
não são minhas as coisas que eu lavo, quebro, organizo.
os amigos que tenho não me conhecem,
não sabem o quanto omito com um sorriso.
o que leio não me convém.
o que eu faço não me realiza.
pensamento no automático
coisas que preenchem o vazio

não sei de quê...




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

os meus pés descalços não encontram o chão
a luz do sol sempre recortada
por prédios, por barras, por pó
o ar e a comida me adoecem
a cidade é uma cela
que me prende do mundo.




o sorriso quando deito do seu lado
o carinho até os meus olhos pesarem
o olhar que me vê no restaurante barato
o iogurte e granola na cama de manhã
frases ditas pra me fazerem rir
opiniões honestas, delicadezas
gestos de bondade
gente de verdade
e entrelinhas avessas
ou será você 
as entrelinhas?





terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eu tenho em mim tudo o que preciso para ser feliz.
Eu encontrei em você tudo o que preciso para ser quem sou.
amar é estender-se
é intensificar-se
é encontrar em alguém terreno fértil
pra crescer e florescer a alma.
é também enraizar-se
absorver o outro e incorporá-lo.
quanto mais se ama
mais se enaltece
mais se tem de onde nutrir-se
até dar frutos e semear outras almas.




quarta-feira, 22 de agosto de 2012

eu não sei quem você é
nem como chegou até aqui
não passou pelos portões
pelas pontes levadiças
foi sorrateiro se aproximando
não disse suas intensões
e eu só espero que você continue entrando.